Rei Charles III não vai mais morar no Palácio de Buckingham até o fim de seu reinado
Rei Charles III e rainha Camilla durante discurso ao Parlamento do Reino Unido, em Londres, no dia 13 de maio de 2026. Arthur Edwards/Pool via REUTERS O Rei Charles III não residirá no Palácio de Buckingham após a conclusão de um programa de reforma de 10 anos, orçado em 369 milhões de libras (US$ 487 milhões), uma vez que a monarquia busca ampliar o acesso do público ao edifício histórico que tem sido o centro da vida real há quase 200 anos. Autoridades da realeza enfatizaram que o rei e a Rainha Camilla continuarão a trabalhar a partir do palácio, que permanecerá como o "centro cerimonial e operacional" da monarquia. No entanto, pelo restante do reinado de Charles, o casal real permanecerá na Clarence House, situada nas proximidades. "É e continuará sendo a sede da monarquia, a joia da coroa de nossas edificações nacionais", afirmou James Chalmers, o alto funcionário da realeza responsável pela gestão das finanças do rei. A decisão foi anunciada na quinta-feira, durante uma apresentação sobre as finanças da realeza, na qual Charles tornou-se o primeiro monarca britânico a revelar os impostos pagos ao governo. O rei pagou 12,9 milhões de libras (US$ 16,1 milhões) em impostos sobre renda e ganhos de capital no ano fiscal de 2024-2025, um aumento em relação aos 11,7 milhões de libras pagos no ano anterior. A realeza tenta responder a críticas Os anúncios ocorrem em um momento em que a família real tenta mudar a narrativa, após meses de manchetes constrangedoras sobre as ligações entre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein e o antigo Príncipe Andrew — agora conhecido como Andrew Mountbatten-Windsor. A atenção do público voltada para Mountbatten-Windsor tem ofuscado os esforços do rei para modernizar a monarquia e demonstrar que essa instituição milenar é capaz de evoluir. Construído na década de 1820, o Palácio de Buckingham tem sido a residência londrina de todos os monarcas britânicos desde a Rainha Vitória. Com 775 cômodos, o palácio também abriga escritórios da burocracia real e sedia suntuosos jantares de Estado para presidentes e chefes de Estado visitantes. O palácio é também um ponto de referência para o público; multidões se reúnem sob sua famosa varanda para celebrar quando reis e rainhas anunciam o fim de guerras, festejam casamentos e marcam eventos históricos, como os 70 anos de reinado da Rainha Elizabeth II. Ele também serve de cenário para desfiles ao longo da ampla avenida cerimonial conhecida como The Mall. O Palácio de Buckingham precisava de cuidados Mas, após tanto desgaste, o palácio começava a acusar a idade. Em 2017, a Casa Real iniciou um programa de 10 anos para modernizar sistemas obsoletos de encanamento, fiação e aquecimento, além de reformar o edifício para que pudesse continuar abrigando a monarquia por mais 50 anos. A previsão é que o projeto seja concluído no próximo ano. No entanto, o rei e a rainha decidiram morar na Clarence House, uma residência imponente próxima ao palácio, onde Charles vive desde a época em que era Príncipe de Gales. Essa decisão permitirá ampliar o acesso do público ao palácio, possibilitando a realização de mais eventos e o aumento do número de visitantes e de visitas guiadas ao edifício, afirmou Chalmers. O palácio já recebe cerca de 700 mil visitantes por ano. Observadores da família real aguardam mais detalhes sobre os planos para o palácio. Ed Owens, autor do livro *After Elizabeth: Can the Monarchy Save Itself* ("Depois de Elizabeth: A Monarquia Consegue se Salvar?"), disse que seria uma pena se, por exemplo, o edifício ficasse vazio durante grande parte do ano. "Espero que haja um 'segundo ato' em relação a essa decisão", disse ele à Associated Press. "Estou aguardando para ver se haverá uma proposta mais radical sobre o que o Palácio de Buckingham poderá ser no futuro." O palácio reconhece a necessidade de maior transparência A outra grande notícia do dia foi o anúncio sobre os impostos da família real. Embora Charles tenha divulgado detalhes de seus impostos pessoais quando era Príncipe de Gales, esta é a primeira vez que ele o faz desde que ascendeu ao trono, após a morte de sua mãe, a Rainha Elizabeth II, em 2022. Embora a monarquia receba recursos de diversas fontes, o rei paga impostos apenas sobre sua renda pessoal — grande parte proveniente de suas propriedades particulares, Balmoral, na Escócia, e Sandringham, na costa leste da Inglaterra. Charles também pagou impostos sobre ganhos de capital relacionados à venda de ativos. O Príncipe William, atual Príncipe de Gales, também divulgou detalhes de seus impostos na quinta-feira. William pagou 7,76 milhões de libras em impostos sobre renda e ganhos de capital no ano fiscal de 2024-2025, um valor inferior aos 8,34 milhões de libras pagos no ano anterior, informou seu gabinete. Pela primeira vez, os números dão ao público uma ideia concreta da fortuna pessoal do Rei, em contraposição aos castelos, joias e obras de arte que acompanham o cargo, mas que não são propriedade pessoal do monarca. Charles não era obrigado a fazer isso. As questões fiscais do rei, assim como as de qualquer cidadão, são estritamente confidenciais. No entanto, ele decidiu abrir mão desse direito à privacidade em um momento em que a monarquia tenta se distanciar o máximo possível de Mountbatten-Windsor. Isso também reforça a ideia de que a monarquia é uma instituição pública e que seu funcionamento deve ser transparente, afirmou Craig Prescott, especialista em direito constitucional e na monarquia da Royal Holloway, Universidade de Londres. “Se eles forem abertos e o mais transparentes possível, o contraste com Andrew Mountbatten-Windsor se torna ainda maior”, disse.
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