Justiça suspende licitação do transporte coletivo de Curitiba após pedido das empresas de ônibus
Justiça suspende licitação do transporte coletivo de Curitiba O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) suspendeu, na noite de quinta-feira (25), a licitação do transporte coletivo de Curitiba, que teve o edital publicado horas antes pela prefeitura da capital paranaense. Cabe recurso da decisão. A decisão liminar foi feita pelo desembargador Leonel Cunha, após um pedido das empresas que têm o atual contrato para a prestação do serviço desde 2010. O contrato tinha, inicialmente, vigência de 15 anos, mas foi prorrogado por 24 meses. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Diante da proximidade do encerramento dos contratos de concessão, a Prefeitura de Curitiba instaurou tratativas com as concessionárias para verificar se existe algum desequilíbrio pendente no contrato e analisar qual a melhor forma de continuar o serviço – se renovar ou licitar de novo. Um grupo de trabalho foi criado e uma fundação foi contratada para subsidiar os estudos, elaborando relatórios e pareceres técnicos voltados à avaliação econômico-financeira, operacional e jurídica do sistema. No entanto, conforme as empresas, mesmo sem a conclusão dos estudos, a Prefeitura de Curitiba e a Urbanização de Curitiba (Urbs) "interromperam unilateralmente os trabalhos" e iniciaram o novo processo licitatório. A Justiça entendeu que, apesar da existência do grupo de trabalho e da contratação da fundação, a Prefeitura de Curitiba não é obrigada a prorrogar ou renegociar os contratos vigentes. Porém, não seria adequado interromper os estudos já iniciados. Dessa forma, o desembargador determinou o prazo de 180 dias – seis meses – para que sejam retomados os estudos técnicos e para que sejam adotadas as providências administrativas necessárias para o encerramento formal das tratativas. "Durante esse prazo, ou até a conclusão dos estudos, os agravados [Município de Curitiba e Urbs] deverão abster-se de publicar edital de concorrência pública para nova concessão do serviço de transporte coletivo de Curitiba. Caso o edital já tenha sido publicado, ficam suspensos, pelo mesmo prazo, os atos tendentes ao prosseguimento do certame", diz a liminar. Justiça suspende licitação do transporte coletivo de Curitiba após pedido das empresas de ônibus Prefeitura de Curitiba LEIA TAMBÉM: Meio ambiente: Ibama multa Prefeitura de Curitiba em R$ 525 mil por irregularidades no corte de árvores da Avenida Arthur Bernardes Copa: Curitiba não terá ponto facultativo em Brasil x Japão; veja como serviços públicos irão funcionar Vídeo: Carros batem em cruzamento, e mulher e criança que atravessavam a rua são atropeladas O que diz a Prefeitura de Curitiba? Em nota, a Prefeitura de Curitiba e a Urbs informaram que "respeitam a decisão judicial, mas irão recorrer da liminar por entender que o processo da nova concessão do transporte coletivo foi construído com ampla participação popular, suporte técnico do BNDES, acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado e estudos conduzidos ao longo dos últimos anos". "A nova concessão é importante para melhorar a vida de quem depende do ônibus todos os dias. O projeto prevê frota renovada, mais ônibus elétricos, ar-condicionado nos veículos, integração temporal, mais conforto para os passageiros, melhor controle da qualidade do serviço e uma rede mais eficiente para a população. O objetivo da Prefeitura é garantir um transporte coletivo mais moderno, confortável e confiável para quem usa o sistema diariamente", diz a nota. O que dizem as concessionárias? Os consórcios que operam o transporte coletivo de Curitiba questionam o motivo da prefeitura abandonar uma análise já contratada, parcialmente custeada com recursos públicos e criada justamente para indicar a melhor e mais eficiente alternativa para Curitiba. "Ao não possibilitar a conclusão desse trabalho, a URBS e o Município incorrem em comportamento contraditório e ferem os princípios da boa-fé objetiva, da proteção da confiança, da segurança jurídica e da coerência da atuação administrativa, conforme reconheceu a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná." "Com a continuidade da licitação e a não conclusão dos estudos que foram contratados, corre-se o risco de desperdiçar recursos públicos e abrir mão de informações técnicas fundamentais para uma decisão que terá impacto direto sobre passageiros, trabalhadores, contribuintes e o próprio sistema de transporte coletivo. Inclusive, a própria 1ª Promotoria de Justiça da Fazenda Pública de Curitiba já alertou, em parecer exarado nos autos, que essa conduta poderá, em tese, suscitar discussão até mesmo sobre eventual caracterização de ato de improbidade administrativa por parte do poder público", diz a nota. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.
Leia também