Quem é o jovem de 18 anos preso por suspeita de matar universitária no interior do Ceará
Homem de 18 anos foi preso por suspeita de matar a universitária Ana Rerica de Messias, de 19 anos, na cidade de Morrinhos, no Ceará. Reprodução O jovem de 18 anos preso preventivamente por suspeita de matar a universitária Ana Rerica de Messias, de 19 anos, foi identificado como Francisco Dionatas Mota de Sousa, ex-namorado da vítima. Dionatas foi detido pela Polícia Civil na terça-feira (23), na cidade de Bela Cruz, a cerca de 23 quilômetros de Morrinhos, município onde o crime ocorreu. O corpo de Ana foi encontrado no dia 29 de maio, abandonado em uma via pública na localidade de Bom Princípio, em Morrinhos, com lesões causadas por um objeto perfurante. Segundo as investigações da polícia, Dionatas teria atraído a vítima para um local ermo e, após uma discussão, atacou a jovem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp A universitária e o suspeito tiveram um relacionamento amoroso, que já havia terminado na época em quem a vítima foi morta. Os dois se conheciam desde a adolescência e o jovem compareceu ao velório de Ana Rérica. Além do mandado de prisão preventiva contra Dionatas, os policiais civis cumpriram outros três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele. Foram apreendidos aparelhos celulares e outros objetos que, conforme a polícia, poderão contribuir para o aprofundamento das investigações. Ex-namorado é preso por suspeita de matar universitária em Morrinhos LEIA TAMBÉM: Jovem de 19 anos é encontrada morta em via pública de Morrinhos, no interior do Ceará Quem era a estudante de 19 anos encontrada morta após sair de moto para passear Por meio de nota, a advogada de defesa Dionatas, Mikaelly Barros, afirmou que vai recorrer da prisão preventiva. A defesa manifestou solidariedade à família de Ana Rérica, mas destacou que "a comoção natural causada pelo caso não pode substituir a análise técnica das provas, tampouco afastar garantias constitucionais como a presunção de inocência, o contraditório e a ampla defesa" (confira a nota na íntegra abaixo). Conforme Mikaelly, a prisão partiu de uma acusação frágil. Ela destaca que o moletom apontado pela investigação como a roupa que Dionatas estaria usando no dia do crime não possuía nenhum material biológico de Ana Rérica, como seria comum em crimes dessa natureza, uma vez que a jovem foi perfurada. "Os elementos até então existentes são, em grande parte, relatos indiretos, suposições e interpretações sobre deslocamentos e vestimentas, os quais não podem ser tratados como prova conclusiva de autoria", afirma a defesa. Univesitária Ana Rerica de Messias, de 19 anos, foi encontrada morta em via pública na cidade de Morrinhos, no interior do Ceará. Arquivo pessoal Quem era a vítima Familiares descreveram Ana Rerica como muito querida e bastante esforçada. Além de trabalhar em uma escola, ela também estudava e frequentava a igreja. O irmão da jovem, André Messias, de 21 anos, disse que ao g1 que Ana Rerica tinha uma rotina dividida entre trabalho, igreja e amigos. Pela manhã, ela atuava como Profissional de Apoio a Crianças com Necessidades Especiais na rede municipal de ensino. No início da tarde, a jovem dava aulas de reforço e entre o fim da tarde e o início da noite ajudava em uma loja de uma tia. Ela frequentava a igreja Assembleia de Deus Bela Vista e cursava uma graduação em Pedagogia online. No tempo livre, ela gostava de visitar os amigos e andar de moto na cidade de pouco mais de 20 mil habitantes. Na noite em que foi morta, a jovem havia saído justamente para dar uma volta. Além disso, a universitária era muito querida no trabalho pois se dava bem com crianças -- inclusive, já tinha feito alguns bicos como babá para conhecidos. "Sempre trabalhou com crianças, sempre se deu bem com criança porque no fundo ainda era uma criança. Por isso toda criança que ela trabalhava gostava dela", disse o irmão dela, André Messias. Ana Rerica foi encontrada morta em via pública na noite de sexta-feira (30) Reprodução Comoção na cidade O velório de Ana Rérica ocorreu no dia 30 de maio, na igreja que ela frequentava. Antes da jovem ser enterrada, foi feito o cortejo fúnebre da igreja para o cemitério. Segundo a família, Francisco Dionatas participou da despedida. O momento foi acompanhado por dezenas de pessoas, alguns com cartazes que pediam justiça pela universitária. A instituição onde Ana Rerica trabalhava, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Coronel Virgílio Távora, publicou uma nota de pesar lamentando a morte da funcionária e destacando as qualidades da jovem. "Rerica sempre foi uma pessoa extremamente meiga, dedicada e carinhosa, deixando sua marca no coração de todos que tiveram o privilégio de conviver com ela, especialmente nossas crianças, que recebiam seu cuidado com tanto amor", disse o texto. Cortejo de Ana Rérica no sábado (30) reuniu dezenas de pessoas em Morrinhos Reprodução Confira a nota da defesa do preso na íntegra: "A defesa técnica de Francisco Dionatas Mota de Sousa, diante do cumprimento de mandado de prisão preventiva ocorrido nesta data, vem a público esclarecer que recebe a medida com respeito às instituições, porém com profunda preocupação, especialmente diante da existência de elementos informativos relevantes que apontam para a fragilidade da imputação e para a inocência do investigado. Inicialmente, a defesa manifesta solidariedade à família de Ana Rérica de Messias. Contudo, a comoção natural causada pelo caso não pode substituir a análise técnica das provas, tampouco afastar garantias constitucionais como a presunção de inocência, o contraditório e a ampla defesa. Conforme se extrai dos próprios elementos do inquérito policial, a investigação teve início sem prova direta de autoria. A própria autoridade policial, na portaria inaugural, registrou a necessidade de realização de novas diligências para apuração da dinâmica dos fatos e da autoria delitiva. Além disso, um dos elementos centrais da investigação foi o moletom atribuído a Francisco Dionatas. Ocorre que o laudo pericial realizado sobre a peça de roupa não identificou material biológico da vítima, circunstância extremamente relevante para a defesa, sobretudo porque a morte teria ocorrido por meio de lesões compatíveis com instrumento perfurocortante. Em crimes dessa natureza, a dinâmica lesiva pode ocasionar contato direto, projeção ou respingos de sangue e outros vestígios biológicos. Assim, a inexistência de material biológico da vítima no moletom periciado demonstra a não participação de Francisco Dionatas na prática do crime. Os elementos até então existentes são, em grande parte, relatos indiretos, suposições e interpretações sobre deslocamentos e vestimentas, os quais não podem ser tratados como prova conclusiva de autoria. Francisco Dionatas nega a prática do crime e o mesmo sempre colaborou com as investigações e seguirá colaborando, por meio de sua defesa, com todos os esclarecimentos necessários perante as autoridades competentes. A defesa adotará imediatamente as medidas judiciais cabíveis para impugnar a prisão preventiva e demonstrar que não estão presentes os requisitos legais para a manutenção da custódia cautelar." Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: a
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