Arara-azul volta à lista de espécies ameaçadas de extinção após impactos dos incêndios no Pantanal
A Arara-azul foi oficialmente reconhecida como símbolo de Mato Grosso do Sul O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) divulgou a nova Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. Entre as espécies incluídas está a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), declarada ave-símbolo de Mato Grosso do Sul em 2025. A espécie volta a integrar a categoria Vulnerável à Extinção (VU). Publicada no Diário Oficial da União (DOU), a atualização reúne 24 espécies classificadas como Vulneráveis (VU) ou Em Perigo (EN), reforçando a necessidade de ampliar as ações de conservação da biodiversidade brasileira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, explica que os grandes incêndios no Pantanal afetaram diretamente a espécie, que depende de poucas árvores para alimentação, abrigo e reprodução. “Quando ocorrem esses incêndios no Pantanal, além de queimar ninho, ovos e filhotes, queima o habitat como um todo", afirma. Ela explica ainda que os incêndios também alteram a relação entre as espécies. "Por exemplo, espécies que não predavam antes, agora começam a predar e com isso, essas espécies que são mais suscetíveis, como a arara-azul-grande, acaba sendo grandemente afetada, não só no momento do fogo, mas por vários anos após esses grandes incêndio." Monitoramento contínuo Arara-azul-grande está entre as espécies incluídas na Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. Fernanda Fontoura/Instituto Arara Azul O Instituto Arara Azul mantém um monitoramento contínuo dos ninhos, ovos e filhotes da espécie, e todas as informações são registradas pelo Projeto Arara Azul. Segundo Neiva, os dados mais recentes mostram os impactos dos incêndios florestais sobre a reprodução da espécie. “Como resultado do nosso monitoramento, observamos que houve uma grande diminuição do número de casais se reproduzindo e consequentemente do sucesso reprodutivo por conta dos grandes incêndios”, relata. Ela afirma que, além de destruir ninhos, ovos e filhotes, os incêndios comprometem a saúde das aves. Como consequência, alguns filhotes apresentam lesões na pele, desenvolvimento abaixo do esperado e aumento nos casos de nanismo. Antes dos incêndios, cerca de 7% das araras monitoradas apresentavam essa condição. Após as queimadas, esse índice passou a ser registrado com mais frequência. A classificação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) considera o risco de extinção da espécie em todo o território nacional, sem divisão por estados. Neiva destaca que o trabalho desenvolvido no Pantanal desde 1990, com ações como a instalação de ninhos artificiais, o manejo de ninhos naturais e o monitoramento contínuo da espécie, contribuiu para recuperar a população da arara-azul no bioma e favorecer sua expansão para áreas do Cerrado próximas ao Pantanal. “Isso melhorou o número de araras na natureza, tanto que ela saiu da lista em 2014. Porém, com os grandes incêndios que acabam afetando muito uma espécie que é extremamente especialista e vulnerável quanto ao hábitat faz com que ela sofra mais por isso que ela volta para essa lista”, completa. Arara-azul-grande volta a integrar a categoria Vulnerável à Extinção (VU). Roberta Kraemer/Instituto Arara Azul Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
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